Eu não consigo. As coisas não
podem ficar assim para sempre. Nem por muito tempo.
Eu tive essa ânsia. Essa
necessidade.
E assim como tudo fica uma droga,
eu não consigo realizar essa vontade. Não consigo mais ficar sozinho, mesmo trancado
em meu quarto, estou sempre com alguém. Minha mente fracionada está sempre me
acometendo a companhia de alguém.
Eu estava no centro da cidade.
Decidi que voltar caminhando faria as coisas esfriarem um pouco... Mas só o que
consegui foi aumentar essa coisa. Fomentar a incessante batalha que existe em
meu interior.
Tantas coisas aconteceram no
interior insano da minha mente. Eu passei o caminho inteiro lutando comigo
mesmo para não acabar cometendo algum erro... Um erro que faria com que minha
mente perdesse todo o controle para meu Id.
Estava lutando. Quase perdendo.
Diversas vezes, por todo o
percurso, eu me perguntava se eu não estaria agindo de maneira errada ao não
permitir isso.
Será que eu não deveria aquiescer
a essa necessidade primitiva? Será que não seria melhor se eu deixasse de agir
e permitisse que o instinto tomasse conta de minha existência?
Eu não sei... Ainda não consegui
me libertar de mim. Duvido também que eu consiga realmente.
Quando cheguei em casa, tirei
minhas roupas e fui ao banheiro. Decidi que a água seria boa para me ajudar a
pensar. Sentei-me no chão e deixei que ela escorresse por sobre meu corpo.
Primeiro quente, afastando o frio que, internamente, havia em mim. E depois a água
fria o que fazia com que minha mente se acalmasse e conseguisse pensar.
Não adiantou.
Fechei o chuveiro, sequei-me e
vesti uma calça. Sentei-me na cama e tentei meditar.
A meditação me levou a esvaziar a
psique. Tentar, na verdade. Estava confuso. Ainda estou. Tentei por muitos e
longos minutos deixar que todas as questões sumissem. Quando pude separa-las,
minha voz interior levou-me a uma caverna. Uma caverna onde eu estava sozinho,
mas essa caverna gelada refletia minha pessoa.
Tantos ângulos e tantas versões de
mim mesmo. Nenhuma das visões me agradava, nada me ajudava. Não conseguia me
encarar. Fechei meus olhos e comecei a me perguntar as coisas... Mas quando eu
me perguntava, não era o meu nome que eu dizia... Minha mente ressoava o nome em
que o Id se identificava principalmente. Sempre... Sempre o nome. Nunca o meu.
Não parecia correto. Mas também não estava errado. Eu não sei... As coisas
estão tão estranhas. Pareço apenas uma forma apática de mim mesmo.
Minha mente, meu mana, minha alma,
está tudo completamente errado. Desconexo com a realidade... Tudo tão fraco e
tão forte ao mesmo tempo... Socorro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário